quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Astrônomos flagram buraco negro 'devorando' estrela


Impressão artística de um buraco negro com um raio X ao redor, que permite que sua taxa de rotação seja estimadaDireito de imagemNASA/CXC/M. WEISS
Image captionIlustração artística de um buraco negro com um raio-x ao redor, que permite que sua taxa de rotação seja estimada
Um telescópio a bordo da Estação Espacial Internacional captou sinais de um buraco negro "devorando" uma estrela. As imagens, detectadas em março do ano passado, foram analisadas por astrônomos e as conclusões foram divulgadas nesta quarta-feira.
Batizado de MAXI J1820+070, o buraco negro fica relativamente perto da Terra - a 10 mil anos-luz daqui. Os equipamentos da Estação Espacial detectaram um imenso jato de luz de raios-x, que chamou a atenção dos cientistas.
Depois de analisar o material, os cientistas concluíram que se tratava de um fenômeno interessantíssimo: um buraco negro observado em meio a uma explosão, uma fase extrema em que ele emite rajadas de energia enquanto absorve um amontoado gigantesco de gás e poeira de uma estrela próxima.
"Muitos milhões de buracos negros existem em nossa galáxia. Nós só os vemos quando estão em um sistema binário com outra estrela, uma estrela normal como o nosso sol. Os buracos negros podem puxar material da superfície da estrela, acumulando material, pouco a pouco, na forma de um disco - chamado disco de acreção - ao redor dele", explica à BBC News Brasil a astrônoma Erin Kara, pesquisadora da Universidade de Maryland e principal autora da descoberta.
"Às vezes, ocorre uma instabilidade, e uma avalanche desse material estelar cai no buraco negro, criando uma enorme energia e radiação, na forma de um jato de emissão de raios-x da região muito perto do buraco negro, chamado de coroa. Temos agora novos resultados sobre a extensão espacial e a evolução da coroa e do disco durante uma explosão."

Detecção

Essa radiação captada pelos equipamentos da Estação Espacial, rastreada pelos cientistas, comprovou-se como oriunda do buraco negro MAXI J1820+070. Astrônomos passaram a seguir a pista, detectando "ecos" dessa explosão. A junção dessas informações resultou em novas evidências sobre como os buracos negros evoluem durante uma explosão.
A descoberta foi anunciada em encontro da Sociedade Americana de Astronomia realizado nesta quarta em Washington e é a reportagem de capa da revista científica Nature desta quinta-feira.
Segundo as evidências, o buraco negro consome quantidades de material estelar e, enquanto isso ocorre, sua coroa - ou seja, o halo de elétrons altamente energizados que o circunda - encolhe significativamente. No caso observado, ele caiu de uma extensão de cerca de 100 quilômetros a apenas 10 quilômetros em pouco mais de um mês.
Estação Espacial InternacionalDireito de imagemNASA
Image captionAs imagens foram obtidas na Estação Espacial Internacional
Nunca antes tal fenômeno havia sido identificado pela ciência. As evidências apontam para o fato de que esse processo seja a chave da evolução de um buraco negro. "É a primeira vez que observamos esse tipo de evidência, de que a coroa está diminuindo durante essa fase da explosão", comenta o astrônomo Jack Steiner, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT.
"A coroa ainda segue sendo algo bastante misteriosa. Ainda temos uma compreensão pequena do que ela é. Mas agora temos evidências de que a evolução do sistema é baseada na estrutura da própria coroa."
Quando o buraco negro foi detectado pelos astrônomos, em março do ano passado, logo em seguida eles começaram a observar sua interação com a estrela próxima. "Ele estava quase completamente desobstruído, então tivemos uma visão muito clara do que estava acontecendo", afirma Steiner.
"Durante nossa observação, o buraco negro passou de totalmente inobservável para uma das fontes mais brilhantes do céu. Isto apenas em alguns dias", conta Kara.

O fenômeno

Uma explosão do tipo ocorre quando um buraco negro suga enormes quantidades de material de uma estrela próxima. Esse material se acumula ao redor do buraco negro, em um vórtice giratório conhecido como disco de acreção, que pode chegar a milhões de quilômetros de diâmetro. No caso estudado, tratava-se de um buraco negro pequeno, de "apenas" 10 vezes o tamanho do nosso sol.
O material nesse disco gira mais rapidamente quanto mais perto do centro está. Esta diferença de velocidades gera um atrito, que acaba aquecendo o disco. Esse calor enorme, em uma escala de milhões de graus Celsius, provoca verdadeiras avalanches, fazendo com que o gás da coroa seja "derramado" no buraco negro central.
No caso observado, conforme os cientistas relataram, seria o equivalente a um Monte Everest de gás por segundo - o que provocou uma explosão que durou o equivalente a um ano.
Os pesquisadores passaram a coletar, então, medições precisas da energia e da frequência das emissões de raios-x durante a explosão. Notaram que havia dois tipos de fótons, os de baixa energia - provavelmente emitidos inicialmente pelo disco - e os de alta energia - aqueles que, ao que parece, interagiram com os elétrons da coroa. A defasagem entre eles provocou "ecos".
"Agimos de modo semelhante aos morcegos, que usam a ecolocalização para mapear uma caverna escura", compara a astrônoma. "Utilizamos, no caso, os ecos de luz para medir a região próxima ao buraco negro que não pudemos resolver espacialmente com nossos telescópios."
Buracos negros são visíveis ao puxar material da superfície de estrelas, formando um disco ao seu redor, e podem emitir raios X quando esse material é engolidoDireito de imagemNASA/JPL-CALTECH
Image captionBuracos negros são visíveis ao puxar material da superfície de estrelas, formando um disco ao seu redor, e podem emitir raios-x quando esse material é engolido
Ao monitorarem essa radiação, os astrônomos observaram que, ao longo de um mês, a defasagem entre os dois tipos de fótons caiu muito. O que sugeria que a distância entre a coroa e o disco de acreção também estaria diminuindo. Ou seja: para evoluir, o buraco negro estava "consumindo" o material do seu halo - constituído basicamente de material estelar. Em outras palavras, o buraco negro estava devorando uma estrela.
De acordo com Steiner, este foi o primeiro caso inequívoco de que uma coroa estava encolhendo enquanto o disco permanecia estável.
"Até então, só havíamos observado esse tipo de 'eco' de luz em buracos negros supermassivos, de milhões ou bilhões de massas solares", completa Kara. "Buracos negros estelares como o J1820 têm massas muito menores e evoluem muito mais rápido. Podemos observar as mudanças em uma escala de tempo humana."
Ou, dizendo de um modo mais claro: a partir de análises de fenômenos como este o ser humano consegue, de ponto de vista de um tempo mais palpável, novas peças para o complexo quebra-cabeças que tenta explicar a formação e o funcionamento do Universo.
"Isso é importante porque há muito tempo existe um debate sobre o que de fato impulsiona a evolução de um buraco negro: se o disco ou a coroa", comenta Kara. "Com nossa pesquisa, descobrimos que a coroa conduz a evolução."
Este entendimento representa muito mais do que pode parecer. Isto porque, conforme a astrônoma lembra, no centro de todas as galáxias massivas estão buracos negros supermassivos. E apesar de eles serem mil vezes menores do que as galáxias onde residem, eles acabam funcionando como os principais condutores da evolução da própria galáxia.
Impressão artística de um buraco negro emitindo raios de energia após consumir uma estrelaDireito de imagemESO/L. CALÇADA
Image captionImpressão artística de um buraco negro emitindo raios de energia após consumir uma estrela
"Esse processo ocorre por meio de episódios de acreção que duram milhões de anos", comenta Kara. "Se quisermos entender como os buracos negros consomem material e afetam seus ambientes, temos de estudar os buracos negros 'menores', encarando-os como análogos - menores e de evolução mais rápida."
Procurado pela reportagem, o físico brasileiro Rodrigo Panosso Macedo, que estuda buracos negros e atua como pesquisador da Universidade Queen Mary de Londres, analisou a importância da descoberta.
"Esse sistema em menor escala tem as mesmas características de outros sistemas muito maiores formados por buracos negros supermassivos e discos de acreção. Buracos negros supermassivos são os que estão, em geral, no centro das galáxias. No caso, o que esses pesquisadores conseguiram foi monitorar mudanças na dinâmica de acreção de material e emissão de energia em escalas temporais que nós conseguimos medir", comenta ele.
Assim, o que os astrônomos esperam ter feito foi ter estudado uma miniatura do centro de uma galáxia, ou seja, compreender um pouco melhor como funciona a evolução da galáxia.

O que é um buraco negro?

A existência dos buracos negros foi idealizada pela primeira vez em 1783 pelo geólogo britânico John Michel (1724-1793). A teoria acabou ganhando corpo com um texto de 1796 do matemático francês Pierre-Simon Laplace (1749-1827).
Mas só no século 20 o conceito foi comprovado. Primeiro com a teoria da relatividade de Albert Eintein (1879-1955), depois com uma sucessão de teorias e, posteriormente, com evidências astronômicas.
O mais massivo buraco negro conhecido hoje é o que está no centro da galáxia NGC 1277. Foi descoberto em 2012 e é 4 mil vezes maior do que o que existe no centro da Via Láctea, a nossa galáxia. Isso significa que ele teria uma massa 17 bilhões de vezes maior do que a do Sol.
Ilustração de um buraco negro com massas de gás ao seu redorDireito de imagemNASA/M. WEISS
Image captionIlustração de um buraco negro com massas de gás ao seu redor
Por definição da NASA, a agência espacial americana, "um buraco negro é uma região no espaço onde a força de atração da gravidade é tão forte que nem a luz é capaz de escapar". "A forte gravidade ocorre porque a matéria foi comprimida em um espaço minúsculo. Essa compressão pode ocorrer no final da vidas e uma estrela", diz texto divulgado pela agência.
Como nenhuma luz escapa aos buracos negros, eles são invisíveis. "No entanto, telescópios espaciais com instrumentos especiais podem ajudar aa encontrar buracos negros. Eles podem observar o comportamento de materiais e estrelas que estão muito próximos dos buracos negros", esclarece a agência.
Existem três tipos de buracos negros. Os primordiais são tão pequenos quanto um único átomo, mas com a massa de uma gigantesca montanha. O tipo mais comum é o de tamanho médio, os chamados estelares - são aqueles cuja massa pode ser até 20 vezes maior do que a do Sol e podem caber dentro de uma bola com diâmetro de cerca de 15 quilômetros.
Os maiores são aqueles chamados de supermassivos - há evidências de que toda grande galáxia tenha um deles em seu centro. O buraco negro que existe no centro da Via Lácta se chama Sagitário A.

Fenômeno semelhante em buraco negro gigante

No mesmo evento da Sociedade Americana de Astronomia, foi apresentado nesta quarta-feira um outro estudo realizado por astrônomos a partir de raras imagens do céu captadas em novembro de 2014.
As cenas também evidenciam um buraco negro se "alimentando" de uma estrela - mas, no caso, trata-se de um buraco negro supermassivo, 1 milhão de vezes maior do que o Sol, no centro de uma galáxia a 300 milhões de anos-luz da Terra.
O astrônomo Dheeraj Pasham, pesquisador Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, e principal autor do estudo, explicou à BBC News Brasil um pouco sobre a descoberta, que será detalhada na edição desta semana da revista Science.
Pasham destacou que a equipe identificou um padrão na emissão dos jatos de raio-X - enquanto o buraco negro se dedica a devorar a estrela, a radiação é emitida em pulsos a cada 131 segundos, e estes persistem por 450 dias.
"Este método pode ser utilizado para medir a atividade de buracos negros", resume o cientista.
"Atualmente, acredita-se que quase todas as galáxias contêm um buraco negro supermassivo em seu centro. Mesmo que esses buracos negros tenham menos de 0,1% da massa de suas galáxias hospedeiras, eles parecem, de alguma forma, controlar o crescimento de seus hospedeiros", explica Pasham. "Portanto, se pudermos entender como os buracos negros supermassivos crescem, podemos usar esse conhecimento para compreender diretamente como as galáxias evoluem."
Esperamos que você tenha gostado desta informação! Caso queira debater ou tenha alguma dúvida referente ao assunto, será um prazer recebê-lo na sala de física, estamos lhe aguardando!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Como planetas são criados? Megacolisão em ponto distante do Universo dá pistas

Ilustração artística de um exoplaneta rochosoDireito de imagemNASA
Image captionDescoberta foi feita a partir de observações de um sistema estelar a 1,6 mil anos-luz de distância
Astrônomos dizem ter a primeira evidência de uma colisão direta entre dois planetas em um sistema estelar distante.
Eles acreditam que o evento cósmico produziu um mundo rico em ferro, com quase dez vezes a massa da Terra. Uma colisão semelhante muito mais próxima de nós teria levado à formação da Lua há 4,5 bilhões de anos.
A descoberta foi feita por astrônomos nas Ilhas Canárias ao observar um sistema a 1,6 mil anos-luz de distância. Os planetas estudados giram em torno de uma estrela parecida com o sol chamada Kepler 107 na constelação de Cygnus.
Acredita-se que um dos planetas, Kepler 107c, tenha um núcleo de ferro que compõe 70% de sua massa, com o restante consistindo possivelmente de um manto rochoso.
Outro planeta mais próximo da estrela deste sistema, Kepler 107b, é 50% maior do que a Terra, mas tem metade da densidade.

Colisão teria ocorrido a mais de 60 km/s

Os cientistas acreditam que o planeta rico em ferro foi formado quando colidiu frontalmente em alta velocidade com outro objeto, o que teria desprendido a parte mais leve de sua camada externa.
Eles calcularam que os planetas deveriam estar viajando a mais de 60 km/s no momento do impacto.
Zoë Leinhardt, pesquisadora da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e coautora do estudo, explicou que foram usadas simulações de computador para testar as teorias.
"Antes, haveria dois objetos onde Kepler 107c está, e eles teriam colidido. Agora, há apenas o 107c", disse ela à BBC News.
"Outra possibilidade é que o 107c tenha sido atingido várias vezes por objetos menores. O problema com essa teoria é: por que isso aconteceu apenas com o 107c? Seria um pouco mais fácil de entender se fosse um evento único, mas isso não significa que tenha sido apenas um evento."

Sistema estelar seria 'um local violento'

Foto do Telescópio Nacional Galileu, nas Ilhas Canárias, com nuvens ao fundoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAs observações foram feitas no Telescópio Nacional Galileu, nas Ilhas Canárias
Chris Watson, da Queen's University, na Irlanda do Norte, liderou a pesquisa e disse que este sistema planetário "teria sido um lugar violento".
Agora, estamos vendo o que restou desta colisão em alta velocidade entre dois objetos, afirmou.
"Encontramos dois planetas em uma órbita muito semelhante, em torno da mesma estrela, mas com densidades muito diferentes", disse à BBC News.
"Um é rochoso, e o outro é feito de um material muito mais denso, provavelmente de ferro. A única maneira de realmente explicar isso seria que, em um deles, uma superfície rochosa tenha sido removida por uma colisão conjunta."
Como sistemas planetários se formam
Outra teoria - de que a radiação da estrela-mãe teria sugado o gás do que seriam planetas do tamanho de Netuno - foi descartada. Este processo teria feito com que o 107b fosse mais denso que o 107c e não o contrário.
A pesquisa publicada na revista Nature Astronomy levanta novas questões sobre como sistemas planetários se formam e evoluem em partes distantes do Universo.
Leinhardt explicou que os planetas em questão provavelmente se formaram em um ponto mais distante da estrela e então migraram, enquanto a gravidade da estrela-mãe sugava material gasoso, um processo conhecido como acreção.
"À medida que a acreção ocorria, os planetas estavam sendo torcidos, arrastados e interagiam com aquele disco de gás - e também se moviam. Enquanto se moviam, chegavam o mais próximo possível um do outro", explicou.
Pode ter sido durante esta fase que o impacto ocorreu: "Talvez, conforme esta migração ativa ocorria e matéria estivesse se acumulando na estrela central, isso tenha causado uma instabilidade em algum lugar - e gerado um abalo", disse Leinhardt.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Cientistas chineses podem ter criado bebês imunes a HIV, varíola e cólera

Cientistas chineses podem, segundo o site Technology Review do MIT, ter criado primeira geração de bebês modificados geneticamente para se tornarem imunes ao HIV, varíola e cólera, através da eliminação do gene chamado de CCR5. A liderança do projeto é do cientista He Jiankui. Seriam os primeiros bebês, Lulu e Nana, participantes de uma cirurgia genética como batizou He.

Segundo o site, eles usaram uma tecnologia conhecida como CRISPR, que seria barata e fácil de implantar, que pode modificar geneticamente um embrião para evitar certas doenças como as que teriam sido feita em um casal de gêmeas.

pesquisa de He foi anunciada na segunda-feira (26) e causou uma resposta negativa por parte da comunidade científica internacional.

O pesquisador chinês disse que editou os genes de gêmeos, que nasceram com resistência à infecção por HIV. O estudo não foi publicado em revistas científicas. Os nomes dos envolvidos – mãe, bebês, pesquisadores que participaram – não foram divulgados.

He diz que modificou os genes dos bebês com a ajuda do Crispr, técnica de edição genética que é alvo de fortes debates éticos pelo mundo.
O Crispr surgiu há seis anos e, desde então, revistas científicas e órgãos internacionais debatem até onde podemos mexer no código genético humano. A técnica de edição é simples e barata, e o que pode fazer, segundo a "Science", uma revolução.

Os cientistas descobriram como "recortar" uma parte do DNA com a ajuda de uma enzima no sistema de defesa das bactérias. Os pesquisadores usam a Cas9 junto com um RNA "guia" para mudar a parte que é de interesse no DNA.
 anúncio do chinês que teria editado o DNA de bebês causou protestos de cientistas ao redor do mundo. Segundo especialistas, ele feriu a ética, as leis, a segurança, e tem consequências imprevisíveis.

"No momento em que a gente tiver certeza que o Crispr só atua naquele gene, então ótimo — então vamos usar o Crispr e evitar os genes que estão criando problema. O problema é que você, quando está editando um gene, pode estar alterando outros genes aleatoriamente e não ter o controle disso. A gente ainda não chegou nesse ponto ainda — estamos caminhando, mas ainda não chegamos lá", afirmou a geneticista Mayana Zatz, diretora do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano, da USP.


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O que é a luz líquida e por que é considerada o 5º estado da matéria

No conto "A luz é como a água", Gabriel García Márquez narra as aventuras de Totó e Joel, duas crianças que, durante as noites, quebram as lâmpadas de sua casa e navegam entre as correntes de luz que surgem delas.
"Uma corrente de luz dourada e fria como a água começou a sair da lâmpada quebrada, e eles a deixaram correr até o nível atingir quatro palmos. Então, eles cortaram a corrente, pegaram o barco e navegaram à vontade entre as ilhas da casa", escreve o Nobel de Literatura.
A cena, por mais fantástica que pareça, não está tão longe da realidade quanto parece.
Cientistas que estudam fenômenos quânticos demonstraram que a luz, sob condições especiais, pode se comportar como um líquido que flui e ondula em torno dos obstáculos que encontra, como a corrente de um rio entre as pedras.
SuperfluidoDireito de imagemDANIELE SANVITTO
Image captionÀ esquerda: a luz encontra um obstáculo antes de se tornar um superfluido. À direita: a luz encontra um obstáculo depois de se tornar superfluido
Como eles fazem isso?
A "luz líquida" é uma substância muito peculiar. Não é sólida nem plasma e tampouco se comporta exatamente como um líquido ou um gás.
Os cientistas a chamam de Condensado de Bose-Einstein (BEC, da sigla em inglês) e a consideram o "quinto estado da matéria".
Nesse estado, as partículas se sincronizam e se movem em harmonia, formando um "superfluido".
"É parecido com qualquer outro líquido ou gás, mas com propriedades especiais, uma das quais é que todas as suas partes estão relacionadas", diz Daniele Sanvitto, pesquisador do Instituto de Nanotecnologia da Itália.
Os superfluidos não criam ondas e não experimentam fricção ou viscosidade.
Ilustração mostra menino perto de uma lata gigante que despeja tinta iluminada sobre a superfícieDireito de imagemGETTY
Image captionA luz líquida pode revolucionar a forma como transmitimos informação e energia
Eles têm um "comportamento coletivo", diz Sanvitto. "É como um grupo de bailarinos fazendo os mesmos movimentos ou uma onda de pessoas marchando no mesmo compasso."
Assim, um líquido comum, ao esbarrar numa parede, saltaria, mas um superfluido, como a luz líquida, circularia ao longo da parede.
"Se você enviar um jato desses contra a parede, ele a escalará em qualquer direção e, eventualmente, voltará a se conectar depois do obstáculo", explica Sanvitto.
Para que serve a luz líquida?
Até poucos anos atrás, os superfluidos só podiam ser alcançados em temperaturas próximas ao zero absoluto (-273 °C), mas, em 2017, Sanvitto e seus colegas conseguiram produzir luz líquida à temperatura ambiente.
Um processadorDireito de imagemGETTY
Image captionO Condensado de Bose-Einstein pode ser a chave para uma nova geração de computadores ópticos
Eles fizeram isso usando misturas de luz e matéria chamadas polaritons.
"Este é o primeiro passo para ter aplicações desse líquido no dia a dia", diz Sanvitto.
Até agora, os experimentos com BEC foram feitos somente em pequena escala nos laboratórios, mas os pesquisadores vêem um grande potencial para transmitir informações e energia sem desperdício.
Ilustração mostra um barco e, próximo a ele, uma criança remando em um bote, com o céu repleto de estrelasDireito de imagemGETTY
Image captionPor enquanto, a luz líquida só pode ser criada em laboratórios
Um exemplo seria a criação de computadores ópticos, que possam aproveitar a interação das partículas de luz sem o problema da dissipação ou aquecimento de computadores comuns. Isso os tornará muito mais rápidos e consumirá menos energia.
Essa tecnologia também pode revolucionar o manuseio de lasers e painéis solares. Como o cientista Michio Kaku mencionou em uma entrevista ao portal This Week in Science, há quem pense que, no futuro, o BEC poderia estabelecer as bases para se teletransportar objetos.
Por enquanto, isso só é possível na imaginação, como já foi no conto de García Márquez...

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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Sonda da Nasa deve pousar nesta segunda (26) em Marte

A Nasa está na contagem regressiva para o pouso em Marte, nesta segunda-feira (26), da sonda Mars InSight, a primeira capaz de ouvir terremotos e estudar o funcionamento interno de outro planeta rochoso.

A nave espacial não tripulada foi lançada há quase sete meses e percorreu 482 milhões de km. É possível assistir à transmissão ao vivo do pouso no site da Nasa (a partir das 17h do horário de Brasília).

Missão

Parte de sua missão é informar dos esforços para enviar algum dia exploradores humanos ao planeta vermelho — algo que a Nasa espera concretizar na década de 2030.
A InSight não tem capacidade de detectar vida no planeta — isso será deixado para os futuros robôs. A missão da agência em 2020, por exemplo, irá coletar rochas que possam conter evidências da vida antiga.

Após 6 anos

Este pouso em Marte é o primeiro desde 2012, quando o explorador Curiosity da Nasa pousou na superfície e analisou as rochas em busca de sinais de vida que possa ter habitado o planeta vizinho da Terra, agora gélido e seco.
A InSight, de 993 milhões de dólares, deve sobreviver à difícil entrada na atmosfera do planeta vermelho, viajando a uma velocidade de 19.800 km/h e reduzindo rapidamente a velocidade a apenas 8 km/h.

Horário do pouso

A fase de entrada, descida e aterrissagem começará às 17h47 (horário de Brasília) de segunda-feira (26). Meio de brincadeira, na Nasa se referem a essa etapa como os “seis minutos e meio de terror”.
A expectativa de aterrissagem é para as 18h. Na tarde de domingo (25), os engenheiros da agência corrigiram a trajetória da sonda pela última vez, para guiá-la para dentro de alguns quilômetros de seu ponto de entrada desejado sobre Marte.
Cerca de duas horas antes de entrar na atmosfera, a equipe de entrada, descida e aterrissagem também pode atualizar alguns detalhes do algoritmo que guia a espaçonave em segurança até a superfície, informou a agência espacial em seu site.

Sirius, o acelerador de partículas brasileiro.

Está em fase final de construção o mais novo acelerador de partículas brasileiro, o Sirius. O equipamento está sendo instalado em Campinas, no interior do estado de São Paulo, e deve custar no total R$ 1,8 bilhão. O governo federal, vem repassando verbas lentamente para a construção do acelerador, mas, em novembro, com investimento já realizado na casa dos R$ 1,3 bilhão, os primeiros testes devem começar a ser feitos.
Quando pronto, o Sirius será o mais avançado acelerador de partículas da sua categoria no mundo inteiro, sendo uma fonte de luz síncrotron. Ele ganha esse nome por ser capaz de lidar com esse espectro de radiação, o que inclui raios-X, luz ultravioleta, infravermelha e mais.
revistapesquisa
Conjunto de magnetos responsável por faz os elétrons serpentearem no interior do anel de armazenamento e, com isso, liberar energia na forma de luz síncrotron
Funcionamento
A aceleração das partículas se dá por meio de campos elétricos, e campos magnéticos são responsáveis pela mudança de trajetória das partículas. No total, o Sirius tem uma circunferência de 500 m e uma série de estágios e anéis de aceleração para estudos de partículas.
Em termos simples, o processo de inicial de aceleração começa com o aquecimento de um fio de tungstênio. Com isso, elétrons são liberados do material e conduzidos por uma carga magnética para os anéis de aceleração e, então lançados em “booster”.
siriusVisão aérea do prédio do Sirius
Esse booster é a estrutura circular responsável por colocar esses feixes de elétrons quase na velocidade da luz. Depois disso, eles são direcionados ao acelerador principal, que é essa grande estrutura de 500 m que você vê nas imagens.
O funcionamento desse equipamento pode parecer complicado para quem não tem um conhecimento profundo de física, mas o caso é que o Sirius poderá ser utilizado não apenas para testar teorias, mas também para conseguir resultados práticos.
O antigo acelerador fonte de luz síncrotron que o Brasil possui — o qual será substituído pelo Sirus — foi um dos responsáveis por decifrar em um modelo 3D uma proteína essencial para a reprodução do vírus zika. O Siruis será capaz de conseguir imagens mil vezes melhores e, com isso, poderá dar um grande impulso na qualidade das pesquisas brasileiras em vários campos.
siriusCâmaras de vácuo que conduzirão os elétrons em aceleração
“O Sirius está muito próximo do limite daquilo que a engenharia permite construir e será capaz de produzir ciência competitiva internacionalmente por, ao menos, uma década”, disse o diretor do LNLS, o físico Antônio José Roque da Silva.

Caso não haja mais atrasos nos repasses do governo federal para a construção do acelerador, estima-se que o Sirius esteja completamente operante durante o ano de 2019, se tornando o equipamento mais moderno do mundo em sua categoria.

Veja mais no vídeo abaixo:


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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Como construir uma luneta em casa

Olá caro aluno! Alguma vez você já ficou se perguntando como seria ver a lua mais de perto ou como os grandes navegadores enxergavam terra ao longe de dentro de suas embarcações enquanto ainda era criança? Essa indagação já passeou na cabeça da grande maioria de nós, então porque não aproveitar os conceitos de óptica que vemos na apostila 2 e construímos uma luneta? você pode conferir todo o material e o processo de confecção no vídeo abaixo:


Se você, querido aluno do CEEJA Sorocaba, gostou do experimento e quer fazer na sua casa, não se esqueça de filmar ou fotografar o seu experimento e entregar para os professores Kenji e Marcelo, o seu experimento será postado aqui no blog!

Abraços e até a próxima! 

Brasileira ganha prêmio internacional por sua pesquisa em energia escura

Marcelle Soares-Santos venceu o Alvin Tollestrup Award (Prêmio Alvin Tollestrup) de Melhor Pesquisa de Pós-doutorado deste ano por suas c...